Ateliê de Escultura Angelus Amy

sexta-feira, 4 de março de 2011

Benvenuto Cellini

Benvenuto Cellini nasceu em Florença, Itália, em 1500 e morreu em 1571. Foi um grande admirador do trabalho artístico de seu conterrâneo, Michelangelo, embora fosse também um crítico fervoroso. Quando a escultura em mármore- Davi - que elevou Michelangelo à categoria dos grandes mestres da arte, ficou pronta, Cellini tinha apenas um ano. Vivia-se então a Renascença e o todo o vigor do Classicismo.
É importante lembrar, que a Itália e particularmente Florença, tem fundamental importância no surgimento do Classicismo da Renascença. A primitiva Renascença é um movimento essencialemente italiano. A nova cultura artística surge primeiro  na Itália, por esta manter-se a frente de toda organização econômico-cultural da época. É da Itália que ressurge o Classicismo, em contraposição ao gótico da Idade Média. Reaparece em Florença, uma nova concepção de cultura e de valores; surge o mercantilismo e a grande força geradora da arte: os déspotas. A arte, a partir de então, já não está  mais atrelada única e exclusivamente à Igreja e aos valores morais cristãos, mas pelo contrário, ao paganismo da cultura clássica e à vaidade das famílias de Florença. A Itália torna-se o centro precursor do Classicismo, pois manteve a tradição da antiguidade clássica, que nunca se perdeu naquele país.O Classicismo é reassimilado intensamente na Itália , como tentativa  de negar pressupostos políticos, sociais e econônimcos da Idade Média. para que o novo surja, é preciso destruir o velho. Cellini vive toda essa fase de transição, vive a Renascença; quando todo o desenvolvimento da arte se torna um processo de total racionalização.

Cellini achava muito mais fácil esculpir em mármore do que preparar uma escultura em bronze. As dificuldades encontradas para a fundição de esculturas em bronze surgiram ainda no Trecento, quando um fundidor foi trazido de Veneza para fundir as portas do Batistério, feitas por Ghiberti, que acabou criando uma escola de bronzistas em Florença. Essa escola existiu por meio século (1403-1452) e formou, entre outros artistas, Donatello.


Por ter sido a acusado de assassinar um ourives rival, Cellini viveu muito tempo fora da Itália. Quando voltou à Florença, teve que redescobrir toda uma técnica de fundição, pois já não havia um artista que mantivesse esse conhecimento vivo. A partir daí, ele inovou através de pesquisa em modelos de cera e em pequenos modelos fundidos. Escreveu então o Tratado sobre a escultura, onde relata todas as dificuldades vividas na execução de sua única escultura em bronze Perseu e a cabeça da Medusa (1545-54), considerada uma obra prima.

 Em seu Tratado, Cellini demonstra sua preocupação com a multifacialidade das esculturas. A partir desta abordagem, vem a crítica ao trabalho em mármore, particularmene quanto à concepção de Michelangelo, que acreditava que um artista jamais poderia tirar formas de um bloco de pedra que fossem pré-concebidas. A pedra, segundo Michelangelo já continha as formas. Para Cellini, no entanto, o artista deveria ditar as formas da escultura , mostrando uma preocupação com os diversos angulos de observação. Essa nova visão foi precursora do Maneirismo, movimento artístico no qual a escultura com muitas vistas de igual valor, tornou-se moda. Uma obra que serve de exemplo é O Rapto das Sabinas (1579-83), de Giovanni Bologna.


Pra finalizar, Cellini, embora tenha feito pouquíssimas esculturas ( seu trabalho mais conhecido é na ourivesaria) foi importante para o desenvolvimento desta arte fundamental. A partir dele outros artistas ousaram inovar, utilizando vários blocos de mármore na confecção de suas obras e possibilitando uma nova interação entre a obra o e observador. Foi através de seu trabalho e suas pesquisas que a tradição do trabalho em bronze conseguiu manter-se viva em Florença por mais 150 anos, abrindo um novo cenário de possibilidades para as gerações futuras de escultores e para a História da Arte.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Um pouco sobre escultura em Bronze

Este blog tem por finalidade divulgar a escultura, em especial a escultura em bronze e seu processo de modelagem.Aqui vai um texto, que explica em poucas palavras como se dá esse  processo.

O Bronze é uma liga metálica  constituída aproximadamente de 85% de cobre, 10% de estanho e chumbo que se expande quando resfria, assim sendo um metal ideal para a confecção de esculturas modeladas em barro, da qual se faz um molde.
Egipcios, gregos e romanos foram hábeis fundidores em bronze. Os gregos, especialmente, fizeram muitas esculturas em bronze em tamanho natural, que se encontram hoje nos museus gregos e em todo o mundo. Os romanos imortalizaram seus imperadores, mas  é a partir da Renascença que as estátuas de bronze começam a ganhar refinamento e tamanho. Benvenutto Cellini, Donatello, Leonardo e tantos outros, são alguns exemplos de escultores que dominaram não só a escultura em bronze, como o mármore, a pintura e o desenho.
A resistência e a ductibilidade do bronze são vantajosas quando se querem criar grandes figuras em ação, especialmente em relação ao mármore ou à cerâmica. Reforços estruturais internos podem ser facilmente adicionados sem prejuízo do refinamento externo.
A possibilidade de reutilização do molde permite também que a mesma idéia esteja presente em locais diferentes, como se dá com inúmeras obras de Rodin, presente em vários museus do mundo. Muitas esculturas de bronze também resistiram a choques que teriam pulverizado obras de cerâmica ou mármore.
O método mais utilizado no processo de fundir em bronze é o método de cera perdida, onde o artista começa fazendo um modelo da obra em argila. Aplicam então uma camada interna de cera no molde, como se fosse a casca de uma laranja, que será substituída pelo metal, na hora da fundição, daí o nome do processo. Reforços estruturais são adicionados aumentando a camada de cera em alguns pontos ou colocando-se pedaços do mesmo material. Preenchem então o espaço interior restante no molde para não gastar muito bronze e deixar a peça mais leve.
O conjunto do molde é então reforçado externamente para que não se rompa durante a fundição. Verte-se então o metal fundido, cuidando de deixar um caminho por onde saia a cera derretida.
Após um período de resfriamento, desmoldagem e correção de pequenos defeitos de fundição , a peça vai ao acabamento final.
Após o polimento aplicam materiais corrosivos para oxidar a peça e formar uma pátina que protege e da a cor final da obra, ao gosto do artista.

O proximo texto será sobre o escultor Benvenuto Cellini. Aguarde!